Não consigo respirar

Por Mark Mason, CFO

29 de maio de 2020, 18h

Não consigo respirar.

Não consigo respirar.

Não consigo respirar.

Não consigo respirar.

Não consigo respirar.

Não consigo respirar.

Não consigo respirar.

Não consigo respirar.

Não consigo respirar.

Não consigo respirar.

Essas foram as últimas palavras de George Floyd. Em um vídeo gravado por um observador, ele pode ser ouvido, implorando 10 vezes por sua vida. Talvez mais, enquanto um policial ficou ajoelhado sobre seu pescoço por 8 minutos e 46 segundos, enquanto outros três policiais aguardavam e ASSISTIAM a tudo.

Como muitos de vocês, assisti ao vídeo de sua morte com uma combinação de horror, aversão e raiva. E, nas noites seguintes, vi essa raiva se espalhar pelas ruas de Minneapolis e por muitas outras cidades americanas, com consequências devastadoras. Eu debati se deveria falar. Mas, depois de algumas conversas com minha família, no início da semana, percebi que precisava falar.

Na verdade, todos nós precisamos.

Embora eu seja o CFO de um banco global, os assassinatos de George Floyd, em Minnesota, de Ahmaud Arbery, na Geórgia, e de Breonna Taylor, em Kentucky, são lembretes dos perigos que os negros americanos, como eu, enfrentam na vida cotidiana. Apesar do progresso nos Estados Unidos, os negros americanos costumam ter privilégios básicos negados, privilégios que outras pessoas dão por garantidos. Não estou falando dos privilégios de riqueza, educação ou oportunidades de emprego. Estou falando de direitos humanos e civis fundamentais e da dignidade e do respeito que os acompanham. Estou falando de algo tão banal quanto fazer uma corrida.

O racismo continua sendo a raiz de tanta dor e feiura em nossa sociedade – das ruas de Minneapolis às disparidades infligidas pela COVID-19. Enquanto isso for verdade, os ideais gêmeos da América de liberdade e igualdade permanecerão fora de alcance.

Tenho orgulho de trabalhar no Citi, uma organização que valoriza a diversidade e a inclusão e está disposta a defender esses valores quando eles são ameaçados, seja trabalhando para fechar a lacuna salarial de gênero em nosso setor, seja denunciando a violência de supremacistas brancos em Charlottesville.

Esses problemas sistêmicos não desaparecerão até que os confrontemos. Portanto devemos continuar falando e nos manifestando sempre que testemunharmos o ódio, o racismo ou a injustiça. Eu sei que o farei – e espero que vocês também o façam.

Além de falar – e em um esforço para ajudar a abordar esses problemas –, minha esposa e eu decidimos fazer doações para três organizações que lutam contra a injustiça e a desigualdade: NAACP Legal Defense and Educational Fund, Advancement Project e Color of Change.

Espero que se juntem a nós!